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Marcelo Rozenberg,
Jornalista desde 1990, é editor do site desde 2007. Depois de passagens por diversos jornais e revistas, trabalhou como repórter e pauteiro na Rede Record, da qual também foi assessor de imprensa. Atualmente, aparece todos os dias na tela do Bandsports, o canal de todos os esportes.
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4/10/2007 - 19:49
Filé no Maraca
Filé é um grande amigo. Homem de hábitos simples, que ama a família e, mais do que nunca, o Corinthians. Pelo time do Parque projeta sua vida, seus compromissos, suas saídas amorosas. Já dormiu no aeroporto de Brasília quando foi assistir à final da Copa do Brasil de 2002 contra o Brasiliense. Já bateu o carro voltando do Maracanã em 1999 após ver o seu Timão perder por 4 a 0 para o Atlético Mineiro (o time paulista havia perdido dois mandos por causa de problemas envolvendo a sua torcida e foi obrigado a atuar fora do Estado de São Paulo).
Pois bem, agora Filé anda cabisbaixo. Os insucessos recentes do seu time o levaram a se assustar com o fantasma do rebaixamento para a Série B. O time não traz esperança, a torcida a cada rodada comparece menos ao campo, os jogadores correm mas não dão sinais de reação. O que fazer?
A pergunta dormiu em sua cabeça sem que alguma resposta fosse encontrada. A solução foi radical quando olhou a tabela e encontrou o alvinegro em 18º lugar entre 20 participantes. Pediu folga no emprego e viajou para o Rio de Janeiro em plena quarta-feira para acompanhar o clássico contra o Fluminense, ignorando a fragilidade do time, a quase certeza da derrota, os altos custos envolvidos em um deslocamento de mais de 400 quilômetros, o medo de andar de avião, o receio da violência da torcida adversária.
No fim, nada disso pesou. Muito menos a opinião de sua mãe, que rogou até o último instante para que Filé permanecesse em casa e visse o jogo pela TV.
Quarta-feira, ele desembarcou no aeroporto Santos Dumont às 15h27. Seguiu para a Zona Norte do Rio, onde encontrou alguns amigos. Tomou a cerveja básica, reviu os arcos da Lapa e se dirigiu ao Maraca. O mesmo onde estivera pela última vez em 2002, quando Romário decretou a vitória do Flu sobre o seu Timão por 1 a 0 em jogo semifinal do Campeonato Brasileiro.
Agora, no mesmo palco, o mesmo duelo a atormentá-lo. A derrota levaria o Corinthians a desabar mais fundo no abismo. Um empate não seria bom, mas tornaria menos dolorosa a viagem de volta de ônibus, com duração mínima de cinco horas e meia.
A prova de amor de Filé. O ingresso do Maracanã guardado como um talismã
Quando o jogo acabou, 1 a 1 estampado no placar, Filé sentiu um misto de alívio e frustração. Subiu lentamente as escadas rumo à saída, pensou no seu amor pelo time, e ainda teve tempo de comentar com um amigo jornalista que seu casamento havia terminado há pouco mais de um mês. De imediato, o amigo se colocou. "Casamentos temos vários durante a vida. Paixão verdadeira e eterna....a que sentimos pelo Corinthians".
Era o que bastava para Filé tomar a direção da Rodoviária feliz, mais do que nunca consciente de que apenas atos como o seu poderão salvar o Timão da humilhação da degola.
email do colunista: rozenberg@terceirotempo.com.br
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