|
|
|
Marcelo Rozenberg,
Jornalista desde 1990, é editor do site desde 2007. Depois de passagens por diversos jornais e revistas, trabalhou como repórter e pauteiro na Rede Record, da qual também foi assessor de imprensa. Atualmente, aparece todos os dias na tela do Bandsports, o canal de todos os esportes.
|
|
1/11/2007 - 21:46
Filé no Maraca - 2ª parte
"Vai Corinthians, cachaça do torcedor, colorindo em preto e branco, sem preconceito de cor". As estrofes que tantos alvinegros cantaram em décadas passadas para ilustrar o amor pelo time que não conseguia sair da fila vieram à mente de Filé na segunda-feira, dia 29, enquanto se dirigia à Rodoviária do Tietê, em São Paulo. Lá, iria buscar a passagem de ônibus para voltar do Rio de Janeiro para São Paulo comprada via Internet já que, dois dias depois, o jogo seria contra o Flamengo. Veterano em caravanas, esse corintiano tão puro como a marchinha que dá início à coluna iria realizar um desejo particular. No maior estádio do mundo, ver o clássico envolvendo as duas maiores torcidas do mundo.
A questão é que, como muitos de seus irmãos de arquibancada, Filé é supersticioso. No retorno da rodoviária para casa, já com o ticket na carteira, não conseguia parar de pensar que no terminal havia visto apenas uma camisa de time: a do Flamengo. Seria algum indício ruim? O timão perderia no Rio?
O temor logo deu lugar à empolgação natural da viagem. E no meio da tarde de quarta-feira, Filé já desfilava pelas ruas da cidade maravilhosa. Em todo o canto o duelo era assunto. Camisas vermelhas e pretas compunham o cenário, desde a Cinelândia, onde tomou o metrô, até o Shopping Tijuca, local para o qual se dirigiu a fim de conhecer uma amiga carioca com quem trocava mensagens apenas pelo Orkut e conversava esporadicamente pelo telefone.
Com Lúcia o papo foi bom. Mulher madura, no esplendor dos seus 30 anos, bonita e cativante. Filé só ficou triste quando soube que ela estava saindo com um amigo da faculdade de Medicina. Conquistar o coração da moça, ao menos naquele momento, seria difícil, talvez tão complicado quanto imaginar uma vitória corintiana. Mas, assuntos sentimentais à parte, partiu feliz ao Maraca.
Que legal reencontrar amigos. Osmar Garrafa, André Hening e Fernando Gavini, jornalistas ilustres e corintianos como ele, estavam lá, trabalhando. Povo irmanado, quatro mil fanáticos que atenderam ao pedido do coração e desafiaram a lógica e a massa rubro-negra de 70 mil pessoas. Vibraram com o gol de Finazzi, silenciaram a multidão em vários momentos, lembraram a todos que naquele lugar tinha "um bando de louco"...mas foram embora sem levar um ponto sequer para São Paulo.
O Fla venceu, afundou ainda mais o Corinthians na incerteza da zona do rebaixamento, mas a viagem deixou uma esperança no ar para Filé: na próxima vez que vier ao Rio ver o seu Timão, quem sabe reencontre Lúcia disposta a abraçar a sua causa. Ah, mas antes de qualquer coisa, que o jogo seja válido pela primeira divisão.
|